Museu Histórico do Crato – J. de Figueiredo Filho

O Museu Histórico do Crato – J. de Figueiredo Filho originou-se do acervo constituído pelo historiador José Alves de Figueiredo Filho (1904–1973). Além de historiador, exerceu as atividades de professor, farmacêutico e membro da Academia Cearense de Letras, tendo produzido extensa obra intelectual acerca da região do Cariri. A concepção curatorial dos quatro espaços do andar térreo organiza-se segundo a cronologia da historiografia brasileira aliada a uma perspectiva contemporânea, que evidencia a crítica social com eixo na pluralidade de vozes. Utilizamos as datas para situar os acontecimentos no tempo, mas é o tempo histórico que nos permite compreender suas causas e consequências. Esse movimento interpretativo evidencia transformações, rupturas e permanências nas sociedades, sem prender-se a uma sequência linear ou constante. A sala inicial aborda a paleontologia e a arqueologia dentro de um contexto de história do território. A sala seguinte trata da constituição do Aldeamento Missão do Miranda, da Vila Real do Crato (1764) e, posteriormente, da Cidade do Crato (1853), pelos movimentos revolucionários de 1817 e 1824. Também estão presentes a arte sacra e o ecumenismo das diversas espiritualidades e suas manifestações. No calabouço, temos artefatos e documentos relacionados às práticas de violência e conflitos sociais materializados na própria função do prédio da Cadeia Pública. Existência que foi e é lentamente ressignificada pelos sentidos da sociedade e suas gerações, interpretando seu passado. Na sala contígua ao calabouço, o acervo percorre o Crato desde o final do século XIX (1889) até os dias atuais, abordando economia, política e cultura. É nesse contexto que o trabalho e a festa situam-se no centro nuclear da produção de sentidos de identidade coletiva que elabora e inventa o mundo histórico ao qual todos nós, inevitável e constitutivamente, pertencemos. O Museu Histórico do Crato – J. de Figueiredo Filho é uma das instituições expressivas e longevas da museologia cearense. Ao completar mais de cinquenta anos de existência, marcados por interrupções e retomadas, entre o passado e o presente, o Museu faz a salvaguarda do patrimônio material e imaterial e representa um testemunho das gerações que construíram e constroem o município do Crato e a região do Cariri.