Ponto de Cultura Caiçaras (Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica)

Em 2005, o acúmulo de vivências, experiências, projetos, programas, eventos e ações realizadas no município foi pela primeira vez reconhecido por um órgão governamental. O extinto Ministério da Cultura, através do Edital para seleção de Pontos de Cultura, reconheceu a importância daquele trabalho, possibilitando assim, o planejamento das ações futuras a curto e médio prazos. Sem dúvida, um importante apoio e reconhecimento pelo conjunto da obra realizada naqueles frutíferos anos. Paralelamente, no mesmo ano, parceiros locais conquistaram o apoio do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Educação para criação da Sala Verde Cananeia, do Coletivo Jovem Caiçara e do Coletivo Educador do Lagamar. Decidimos então, integrar todas essas ações na base criando um espaço democrático concebido como uma rede orgânica agregadora de processos de criação, produção, ação e fruição educacional e cultural participativas. Tempos depois essa pujante e rica experiência foi oficialmente reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente que incentivou a produção de um documentário através de processo educomunicativo, entre a Sala Verde Cananeia, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e o Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. O filme mostra um pouco das ações colaborativas que existem entre os diferentes grupos, coletivos e espaços educadores do município de Cananeia (acesso em https://bit.ly/3lLD9qh). Importante ressaltar, que o vídeo foi apresentado como pauta sobre as Salas Verdes do Brasil na reunião com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada no ano de 2008 em Angola. Junto ao Coletivo Jovem Caiçara e ao Coletivo Educador do Lagamar pudemos contribuir com diversas ações foram muito significativas, como a publicação do livro Saberes Caiçaras – a cultura caiçara na história de Cananeia (acesso em https://bit.ly/33TWBcK) e o vídeo documentário Saberes Caiçaras – a reinvenção da cultura caiçara em Cananeia (acesso em https://bit.ly/2X1v1sm), ambos produzidos com a participação direta de adolescentes e jovens, de ambos os sexos, através de processos e métodos participativos como à pesquisa-ação-participante. Em 2007, esse trabalho coletivo recebeu o Prêmio Culturas Populares 2007 – Mestre Duda – 100 Anos de Frevo promovido pelo extinto Ministério da Cultura. Em 2008, essas iniciativas receberam a indicação e recomendação de replicação como ações de referências pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) durante o Processo de Registro do Fandango Caiçara como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Entre 2005 e 2008, diversas ações e projetos foram implementados e realizados na região desenvolvendo a intenção deliberada de se criar um programa mais amplo que pudesse abarcar e absorver todas essas iniciativas de forma participativa e colaborativa. Contudo, os arranjos institucionais e administrativos não colaboravam para que aquele ideal fosse alcançado imediatamente. Assim, seguimos participando e fomos contemplados em diversos editais do Ministério da Cultura, destacando-se: Ação Griô, Escola Viva, Agente Cultura Viva, Prêmio Asas e Prêmio Cultura Digital, no qual fomos selecionados em 2º lugar em todo o país. Vale destacar ainda, que no ano de 2009 tivemos nossa proposta aprovada e firmamos contrato com a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) para continuidade e ampliação das nossas ações através do Edital Pontos de Cultura SP e também firmamos convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através do edital Apoio e Fomento ao Patrimônio Cultural Imaterial para o desenvolvimento do projeto Programa Puxirão: apoio ao fandango caiçara no município de Cananeia no município. Entre 2010 e 2012, seguimos aprovando propostas em diversos editais e chamadas, o que resultou na conquista do Prêmio Culturas Populares 2012 – Mazzaropi. Nesse período, o não recebimento de valores financeiros de propostas aprovadas em editais do extinto Ministério da Cultura, que fizeram com que perdêssemos o espaço físico que nos abrigava, e a perda de pessoas que atuavam diretamente na equipe de gestão nos fizeram pensar seriamente na possibilidade de encerrar definitivamente as ações do Ponto de Cultura. Contudo, em 2013 decidimos nos desvincular da organização social à qual estávamos vinculados e à formalizar oficialmente a Associação Ponto de Cultura Caiçaras, a qual compôs-se naquele momento por estudantes, pesquisadores, educadores e lideranças de povos indígenas da etnia Guarani M’Bya e de comunidades tradicionais caiçaras e quilombolas residentes no município de Cananeia (SP). Desde então, mantemos nossos programas e ações por meio da aprovação de propostas de nossas/os associadas/os em editais específicos. Destacam-se a proposta “Ponto de Memória Caiçaras”, aprovada no edital de chamamento público Prêmio Pontos de Memória 2014, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), a proposta “1ª Festa do Fandango Caiçara de Cananeia” aprovada no edital 2015 do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e a co-gestão do projeto Ô de Casa: Mobilização, Articulação e Salvaguarda do Fandango Caiçara, proposto em 2017 pela Associação Mandicuera de Cultura Popular, instituição parceira sediada na cidade de Paranaguá (PR) e que teve o apoio direto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o qual inclusive possibilitou que organizássemos a 2ª Festa do Fandango Caiçara de Cananeia, bem como, colaborou para as festas semelhantes ocorridas nas cidades que compõem o chamado Território do Fandango Caiçara, a saber: de Paranaguá (PR), Guaraqueçaba (PR), Iguape (SP) e Ubatuba (SP). Entre 2018 e 2019, seguimos conquistando prêmios e editais que mantiveram nossa atuação viva na região. A mais importante novidade é que agora passamos a trabalhar com comunidades indígenas da etnia Guarani M’Bya, o que nos tem proporcionado um grande e renovado ciclo de aprendizagem. De forma análoga, ressaltamos a consolidação da nossa participação no recém criado Comitê de Salvaguarda do Fandango Caiçara, o qual está diretamente vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 2020, após passar pelo programa de aceleração social da Organização Social Instituto Legado de Empreendedorismo Socioambiental redesenhamos e reafirmamos nosso propósito social (missão, visão de futuro e valores) passando a adotar o nome oficial de Associação Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica, visando agora a homenagear não só à comunidade tradicional caiçara, mas todos os povos que vivem nesse importante e ameaçado bioma brasileiro, bem como, à consolidar um planejamento estratégico alinhado com a visão de futuro institucional. Em 2021, fomos selecionados para participar do programa de aceleração FuturAção, ligado ao projeto Construindo o Futuro da Organização Social Instituto Espírita de Educação (IEE), que tem o objetivo de capacitar e apoiar o desenvolvimento institucional de Organizações da Sociedade Civil, para que alcancem excelência em gestão, aprendam a diversificar as fontes de recursos e gerem ainda mais impacto positivo para a sociedade. Paralelamente, iniciamos os projetos Amanhece! Patrimônio, Memória e História do Fandango Caiçara em Cananeia, que resultará na produção de um documentário audiovisual e gerou de um livro digital sobre o Fandango Caiçara no município de Cananeia (SP) (disponível em https://bit.ly/38S4tlK) e M'Bya Teko Jexauka - Divulgando a Cultura Guarani M'Bya, que resultou em registros históricos das canções e danças tradicionais da Tekoa Takuari-ty, também localizada em Cananeia (SP), os quais podem ser acessados na plataformas digitais Spotify (acesso em https://spoti.fi/3CsYz4X) e Youtube (acesso em https://bit.ly/3rVl9A5). Ainda em 2021, conseguimos apoio financeiro para a proposta Ponto de Cultura Povos da Mata Atlântica, à qual deu subsídios para a execução do planejamento estratégico e do plano de trabalho institucional em 2022. Destacamos o apoio obtido para a proposta de consolidação do programa Caiçaras HackLab – Laboratório de Inovação Cidadã e para a realização do evento II Encontro de Conhecimentos Livres do Lagamar. Em 2022, realizamos a sexta edição da Festa do Fandango Caiçara de Cananeia em parceria com a comunidade fandangueira local. Realizamos também à vivência Encontros Estacionais com Mestre Lumumba - Cantos Étnicos e Construção e Toque de Tambores Afro-ameríndios, que teve como objetivo promover a transmissão na prática de saberes tradicionais relacionados a essas artes seculares herdadas de nossos ancestrais por Mestre Lumumba (in memoriam), e a oficina Ritmos Afro-brasileiros que teve o objetivo de trabalhar instrumentos e toques de percussão conectando ancestralidade e ritmos afro-brasileiros, à qual foi ministrada por Kleber Moura, músico percussionista, construtor de instrumentos, contra mestre, Ogan, pesquisador e artista plástico. Promovemos ainda, a primeira edição do programa Gestar - Programa de Incubação e Aceleração Social que contou com a participação de cerca de 10 (dez) pessoas responsáveis por ideias, projetos ou negócios nas áreas de cultura, educação, meio ambiente e turismo capazes de gerar impacto social em suas comunidades. O programa contou com encontros presenciais e online abordando temas como: economias alternativas, inovação social, tecnologias sociais, empreendedorismo social, gestão estratégica, comunicação social e sustentabilidade. Em 2023, iniciamos as ações previstas na proposta “Puxirão – Programa de apoio ao Fandango Caiçara”, a qual se propõe a apoiar, fortalecer, disseminar e registrar as manifestações tradicionais relacionadas ao Fandango Caiçara, garantindo assim, a valorização e a transmissão desse patrimônio cultural imaterial brasileiro em todos os municípios que compõem o chamado Território do Fandango Caiçara, e na proposta “Filhos Ocultos do Caxambu” que tem o objetivo de contar a história do “desaparecimento” da Comunidade Quilombola do Caxambu por meio da memória oral de seu povo. Finalmente, realizamos o projeto “Festival Lagamar – Conexões Afro-ameríndias Litoral Sul” que teve o objetivo principal de promover o encontro presencial entre artistas populares contemporâneos e Mestras e Mestres da cultura popular paulista no Território dos Povos da Mata Atlântica, localizado no maior trecho contínuo desse bioma ainda conservado do país. Partindo dos conhecimentos tradicionais seculares dos anfitriões, lideranças do Povo Indígena Guarani M’Bya e Mestras e Mestres do Fandango Caiçara, reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o encontro promoveu a livre interação entre diferentes artistas populares e as diversas manifestações culturais de povos indígenas e de comunidades tradicionais que vivem na Mata Atlântica. Importante ressaltar, que todas estas propostas foram aprovadas em editais do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.