Informações
Tipo de Entidade
Entidade Cultural
Natureza Jurídica
Associação Privada
E-mail da sede
quilombogrotaocultura@gmail.com
Nome do responsável pelo coletivo
José Renato Gomes da Costa
Breve história sobre o Ponto de Memória
Os antecedentes das trajetórias da ACOTEM remontam a chegada do Sr. Manuel Lisboa da Costa e a Sra. Maria Vicença da Costa na antiga Fazenda Engenho do Mato em 1920, quando ainda Niterói era capital do estado do Rio de Janeiro. Quando chegaram em Niterói, deslocaram-se para a região oceânica, conseguindo trabalho, enquanto roceiros na Fazenda Engenho do Mato, que logo nos primeiros anos de trabalho, entrou em falência, sendo dividido pela sua antiga proprietária, Inês Sodré, um quinto das terras, no acordo de colonato. Manuel e Maria Vicença ficaram com as terras aos fundos da fazenda, no pé da Serra da Tiririca. Lá passaram a cultivar arroz, banana da terra, milho e hostaliças, práticas que apreenderam em suas origens de Sergipe e dos saberes de seus antepassados de quilombo, mantendo cultura de subsistência e comercializando para moradores e comerciantes da própria região. Até o final da década de 1960 diversos processos relacionados a luta pela reforma agrária e especulação imobiliária e latifundiária colocaram em ameaça o casal e sua família para a expulsão da terra. Estas ameaças exigiram que a família encontrasse outras estratégias de enfrentamento e sobrevivência, em especial as relacionadas ao trabalho fora da produção agrícola. Na década de 1970, uma pesquisa acadêmica mapeou a flora da Serra da Tiririca e a captação fluvial da região, as informações produzidas convergiram para no final dos anos de 1980 um amplo estudo de adstrição da terra, que em 1990 serviu para o estado do Rio de Janeiro criar um projeto de Lei para demarcar as terras como pertencentes à uma Área de Preservação Ambiental, colocando em significativa ameaça os moradores, com a expulsão de suas moradias. Desta maneira, após diversos debates entre os moradores e demais comunidades tradicionais da região, que vivia as mesmas ameaças, foi criada a Associação das Comunidades Tradicionais do Engenho do Mato – ACOTEM em 09 de março de 2004, para o enfrentamento das ameaças de remoção das famílias e do memoricídio de seus saberes e práticas tradicionais, com a criação da Unidade de Conservação (UC) ou Área de Preservação Ambiental (APA), implementada pelo estado do Rio de Janeiro, pela Lei n° 1901/91 através da Fundação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, que hoje administra o parque. Em 1990, os moradores do Quilombo do Grotão conseguiram judicialmente, por todo o seu contexto histórico e social, a garantia de permanecer na terra. No entanto, ainda hoje sofrem com a especulação imobiliária e as vulnerabilidades socioeconômicas geradas pelo processo histórico e político descrito acima. A partir deste processo, além da organização política da ACOTEM, para a defesa de direitos sociais, os familiares, com apoio e parceria de outras comunidades tradicionais de Niterói e universidades do estado do Rio de Janeiro, passaram a se engajar em ações culturais entorno da constituição identitária afro-brasileira e do resgate e valorização das memórias de seus antepassados, a partir de ações como o samba de raiz, a feijoada tradicional, a capoeira, a produção de artesanato entre outros, com forte visibilidade na região, demonstrando suas resistências na tradição quilombola.
Público-alvo das ações promovidas
Moradores da comunidade, jovens e adultos do bairro e região oceânica de Niterói; comunidades tradicionais de Niterói e do Estado do Rio de Janeiro.
Breve descrição do Acervo
O Quilombo do Grotão, desde a fundação da Associação tem se esforçado para preservar a memória da comunidade. Especialmente após a certificação como Ponto de Cultura, foi possível aumentar o acervo de fotos e imagens de personalidades históricas do movimento negro e da família, registrando aspectos significativos da história e da cultura da comunidade. Foram produzidos registros audiovisuais, disponíveis gratuitamente em plataformas online e um livro sobre a história do lugar.
O Ponto já realizou o Inventário Participativo?
Não
O Ponto possui Acervo?
Sim
Acervo
Catálogos, livros e outras encadernações impressas | Documentos | Documentos escritos | Documentos Imagéticos (Fotografias, mapas, etc..)
O Acervo já foi inventariado?
Não
O ponto possui acervos digitais?
Sim
Relação com a comunidade de referência
A relação, além de historicamente constituída, envolve relações de parentesco, afinidade e vizinhança. Mesmo diante dos conflitos inevitáveis, a luta pela permanência e posse do território ultrapassa as diferenças. Nesse sentido, a gestão do Ponto tem relação com essas relações sociais mais amplas, inclusive de vizinhança e parentesco e que ultrapassam os limites da comunidades quilombola. São estabelecidas, então, parcerias com associações locais e outras comunidades tradicionais da região.
O ponto possui sede própria?
Sim
O espaço da sede é aberto ao público?
Sim
Já foi contemplado em algum edital do IBRAM?
Não
Contemplado em outros editais públicos ou privados?
Sim
Contemplado em quais outros editais?
Ponto de Cultura - Fundação de Arte de Niterói e Prefeitura de Niterói 2018-2019 2020-2021 Lei Aldir Blanc - Secretaria de Cultura e Economia Criativa - Governo do Estado do Rio de Janeiro (SECEC/RJ) 2021-2020 Povos Tradicionais Presente - Secretaria de Cultura e Economia Criativa - Governo do Estado do Rio de Janeiro (SECEC/RJ) 2022-2023
Os integrantes participaram de ação do IBRAM?
Não
Participaram de capacitação de outra instituição?
Sim
Qual capacitação?
Oficinas promovidas pelo Pontão de Cultura - Rede Cultura Viva (Niterói)
Data da capacitação
10/08/2020
O ponto promove atividades regulares?
Sim
Quais atividades?
Rodas de samba semanais; Feijoada tradicional; Oficinas de capoeira para adultos e crianças; Oficina de Percussão para jovens e adultos; Oficinas de artesanato para jovens e adultos; Comercialização de artesanato tradicional e sustentável local;
A entidade promove ações de Capacitação?
Sim
Quais ações de Capacitação?
Oficinas descritas acima e no nosso portfólio.
O ponto promove eventos abertos ao público?
Sim
Quais eventos?
Os sambas da comunidade, gratuitos Os sambas regulares, com entrada paga As oficinas, gratuitas.
O ponto faz parte de alguma Rede?
Sim
Qual Rede?
Rede de moradores do bairro do Engenho do Mato Articulação com comunidades quilombolas e tradicionais do Estado do Rio de Janeiro
O ponto possui parcerias com poder público?
Sim
Quais parcerias com poder público?
Prefeitura de Niterói e Governo do Estado do Rio de Janeiro
O ponto possui parcerias com instituições privadas?
Não
O Ponto tem participação ativa em conselhos?
Sim
Quais conselhos?
Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Estado do Rio de Janeiro (ACQUILERJ)
